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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

TRADIÇÃO DA PINTURA RUPESTRE


1. O termo tradição (Nordeste e Agreste)

O conceito de tradição é geralmente assemelhado entre os modelos adotados pelos estudiosos da pré-história nordestina, onde este apresenta ordenadamente os registros gráficos por um grupo que representa uma identidade cultural com caráter abrangente. A Anne-Marie Pessis tem como atitude principal ao analisar o termo tradição, procurar padrões que permitam com que os materiais rupestres se tornem uma fonte confiável à ciência, não apenas estudando-os descritivamente, mas utilizando os painéis arqueológicos como fontes de pesquisa antropológica, sendo este um modelo pós-processualista. Gabriela Martin utiliza o termo tradiçãosub-tradição eestilo seguindo a mesma ideia da Anne-Marie, mas com cautela, pois se deve, antes de tudo, entender que as pinturas são representações simbólicas tanto de um grupo, como das percepções singulares sobre um ambiente pouco conhecido.
No Rio Grande do Norte, as tradições mais estudadas são Nordeste e a Agreste, visto que são citadas em diversos trabalhos textuais de autores conceituados. Na Nordeste há a predominância de figuras humanas, animais e objetos com sua “leitura” reconhecível, tendo como representantes desta tradição o sítio Mirador em parelhas (Tradição Nordeste e sub-tradição Seridó) com pinturas rupestres que simbolizam, principalmente, a vida cotidiana da pré-história, às vezes trágica e violenta, com figuras possuídas de grande agitação e outras que representam um mundo lúdico e brincalhão, registrados pelo movimento de dança e agilidade das figuras acrobáticas e acredita-se que era um local onde os aborígenes enterravam seus mortos, pois se tende a compreender que existia uma mentalidade desde respeito a pavor, tornam este local distante de suas moradias.
Na tradição Agreste, podemos encontrar grafismos reconhecíveis, especialmente da classe da figura humana, sendo raros os animas. As figuras são representadas paradas, não existindo movimento dinâmico. O lajedo Soledade, uma formação de rocha calcária, cuja origem se deu a na época Cambriana, quando os continentes africanos e sul-americanos ainda se encontravam unidos. O Lajedo fica na cidade de Apodi, no sertão do Rio Grande do Norte. É considerada uma das formações mais antigas do Brasil que à mais de 90 milhões de anos atrás permaneceu coberta pelo mar, e por esse motivo foi possível encontrar animais marinhos fossilizados na região do Lajedo. Com o movimento das placas tectônicas e o recuo da água, essa imensa extensão de rocha calcária ficou exposta, passou a sofreu ação da águas pluviais e dos rios que se formaram entre suas fraturas, o que também alterou a superfície do Lajedo, formando verdadeiros painéis “artísticos” para o simbolismo rupestre.
    2. Uma analise processualista sobre o Lajedo Soledade
    Paulo Tadeu de Albuquerque e Leila Pacheco, no texto “Lajedo Soledade: um estudo interpretativo” levanta a hipótese de um centro cerimonial. Utilizando conhecimentos científicos e modelos explicativos, perceberam que neste território, a mais de 50.000 anos, possuem grandes períodos de seca, sendo assim um local impróprio para uma moradia permanente. Demonstrando que este local era utilizado para cerimônias ritualísticas, pois, as pigmentações utilizadas eram misturadas feitas base de água, sendo que a única área hídrica próxima é a 3 km de distância. Os habitantes, no período de chuva, se dirigiam a este local para realizar, talvez, rituais relativos à chuva. A chuva não seria o objeto, mas um fator que corroborava na realização ritualística. Sem falar que levanta outra questão, a de serem coletados apenas materiais pequenos, afirmando que:
    “[...] ainda que a ocorrência fosse dez vezes maior, ou seja, ainda que tivesse sido encontrado 10% do material que teria sido utilizado nas proximidades do Lajedo, ainda assim seria pouco (PACHECO, L. M. S.; ALBUQUERQUE, P. T. de S., 2000, p. 121).
    Eles não acreditavam na concepção de que os recipientes grandes teriam sido levados pelas chuvas e deixado apenas os pequenos, enfatizando cada vez a veracidade desta hipótese. Também foi percebida a especificidade de cada conjunto rupestre presente nos painéis deste sítio arqueológico, de forma que cada ravina pintada parece ter função especifica o que, deveras, amplia a ideia de centro cerimonial, contudo, não abandona a hipótese deste ter sido um Refúgio para povos em fuga, ou na busca por caça
    Paulo e Leila se utilizam deste método teórico, pois acreditam que se deve conhecer as partes para entender o contexto dos sítios rupestre. Criticam outros arqueólogos que nem mesmo buscam entender o contexto, focalizando apenas nas descrições de imagens rupestres e objetos.

    CONCLUSÃO

    Através deste trabalho, foi-se buscado compreender as diversas vertentes no ramo da arqueologia, onde poderíamos utilizá-las e em qual contexto encaixá-la. O campo arqueológico é uma área do saber humano cheio de peculiaridades e complexidade. Quando utilizo a palavra “complexidade”, me refiro a abrangência de elementos ou partes da área arqueológica, cheia de linhas teóricas a escolher.
    Problemas são visíveis dentro dos museus apontados, relativo à dificuldade de se trabalhar com os achados, visto que são expostos em quase total disparidade. O que se faz necessário é o trabalho de tematização dentro dos museus, compreendendo o estilo, tradição e localidade destes registros, sem correr o risco de cometer anacronismos sobre a pré-história de determinadas civilizações que conviveram neste território a milhares de anos atrás. O conceito de tradição foi trabalhado em conjunto com os pensamentos de Anne-Marie Pessis e da Gabriela Martin. Infelizmente, não foi possível encaixar a origem do conceito “tradição”, provindo do modelo Histórico-cultural. No entanto, o nível de absorção do conhecimento trará frutos futuros para a nossa carreira, cujo caráter de abordagem foi gratificante e instigante.

    FONTE:

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